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Autores: A partir do fascículo 39/9 a revista Química Nova adotou a licença CC-BY. Mais informações a respeito dessa licença podem ser obtidas aqui.

Editorial


O olhar de Janus

Adriano D. Andricopulo; Jailson B. de Andrade


Os ex-presidentes da SBQ, Angelo C. Pinto, Antonio S. Mangrich, Carlos A. L. Filgueiras, César Zucco, Eliezer J. Barreiro, Etelvino J. H. Bechara, Fernando Galembeck, Jailson B. de Andrade, Osvaldo L. Alves, Paulo C. Vieira. Raimundo Braz Filho, Vanderlan S. Bolzani e Vitor F. Ferreira; o atual presidente, Adriano D. Andricopulo; e o presidente sucessor, Aldo J. G. Zarbin, estiveram reunidos nos dias 11 e 12 de setembro de 2015, no Rio de Janeiro, para com o olhar do passado e do presente, visualizar a SBQ no futuro.

A primeira reunião de ex-presidentes da SBQ foi realizada em 2005, na Praia do Forte, em Salvador - BA, pouco tempo depois da realização do primeiro Congresso Latino-Americana de Química (XXVI CLAQ) no Brasil em 20041, que foi um dos grandes marcos da atuação internacional da SBQ. Naquela época foi organizada a publicação "A Química no Brasil através de Química Nova"2, que reuniu um conjunto expressivo de editoriais e artigos publicados em QN, os quais representavam a atuação da SBQ e de seus sócios com relação ao ensino de química, na pós-graduação e pesquisa e na definição de políticas para o setor. Um dos textos mais recentes e destacados foi o denominado "Eixos Mobilizadores em Química"3 que teve ampla repercussão e orientou varias ações da SBQ e da comunidade de Química.

A agenda da reunião de 2015 incluiu os seguintes temas: i) a contribuição da SBQ para o avanço da Química e da Ciência; ii) os principais desafios atuais da Química e da Ciência; iii) os setores da Química onde o Brasil poderá ser um player mundial em 2022; e iv) sugestões para a Química avançar na fronteira do conhecimento científico. Além da agenda, os ex-presidentes trataram de outros temas, tais como: i) as publicações da SBQ; ii) a crise econômica brasileira e os seus efeitos sobre o ambiente, a educação e a ciência; iii) a crise de valores nas Universidades; e iv) o congresso Mundial de Química - IUPAC 2017 - no Brasil. Esta reunião marcou o início formal dos eventos preparatórios para a IUPAC 20174,5. Em breve será publicado um texto consolidando a visão e a contribuição dos ex-presidentes em relação aos temas discutidos, que podem ser resumidos, a seguir: i) o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico, PADCT, nas décadas de 1980 e 1990, foi um marco significativo para a ampliação do tamanho e qualidade da Química no Brasil, bem como para mitigar as discrepâncias regionais; ii) as publicações da SBQ são atividades de grande relevância e qualidade. Por isto devem ser fortalecidas e ampliadas; iii) os números especiais temáticos de QN têm tido um papel relevante no destaque e abordagem de temas emergentes. Nesse sentido devem ser continuados; iv) os Experimentos como o "pH do planeta", realizado em 2011 no Ano Internacional da Química, têm grande força de mobilização e impacto global. Novos experimentos devem ser realizados; v) o ensino de Química, bandeira permanente da SBQ, não está numa fase fértil. Proliferam nos cursos de graduação as disciplinas "não química". É urgente o reforço das disciplinas que tratam dos conceitos básicos; vi) a formação de Mestres e Doutores continua intensa. É preciso incrementar o apoio aos jovens Mestres e Doutores que atuam no ensino superior e tecnológico, de modo a garantir a construção de carreiras exitosas; vii) a governança nas IES está cada vez mais comprometida. Existe um equívoco em colocar em patamar idêntico dois aspectos distintos: O "emprego de Professor", que deve ser acompanhado pelos respectivos sindicatos e, a "carreira de Professor", que deve ser acompanhada e avaliada pelos "pares"; viii) a importância da participação ativa de jovens e sêniores nas Reuniões da SBQ: é um aspecto fundamental para qualificar e ampliar as discussões; ix) a crise de recursos naturais no mundo; x) a Química como player na Bioeconomia; e, xi) a Química precisa ser ensinada e praticada considerando pelo menos três dimensões: a Científica e Tecnológica, a Econômica e a social.

A reunião de ex-presidentes não se estabelece como qualquer instância decisória da SBQ. Deste modo, a primeira reunião, em 2004, foi conduzida pelo então presidente, Paulo Cezar Vieira, e a reunião atual, pelo presidente, Adriano D. Andricopulo.

A reunião de 2015 foi considerada extremamente positiva, repleta de relatos e discussões proveitosas sobre experiências vivenciadas pelos dirigentes em momentos diversos da história da SBQ. A memória é um dos alicerces mais importantes de uma entidade como a SBQ. Preservar essa memória é uma forma de fortalecer suas bases e de ter referenciais consistentes para construir o presente e planejar o futuro. É muito salutar para a SBQ ter várias gerações de dirigentes olhando para o passado e para o futuro. A próxima reunião de ex-presidentes está agendada para 2020. Registra-se, especialmente, os agradecimentos ao ex-presidente Eliezer J. Barreiro, pela logística primorosa e calorosa acolhida.

Adriano D. Andricopulo
Jailson B. de Andrade

 

REFERÊNCIAS

1. http://www.sbq.org.br/27ra

2. Química Nova, Edição Especial maio 2004, SBQ

3. de Andrade, J. B.; Cadore, S.; Vieira, P. C.; Zucco, C.; Pinto, A. C.; Quim. Nova 2003, 26, 445. DOI: http://dx.doi.org/10.1590/S0100-40422003000300025

4. http://www.iupac2017.org;

5. Andricopulo, A. D. ; Galembeck, F.; Ferreira, V. F.; Quim. Nova 2013, 36, 1087. DOI: http://dx.doi.org/10.1590/S0100-40422013000800001

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